quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Submissão é Liberdade









“Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar”
(I Samuel 15.22)

A questão da submissão é, provavelmente, uma das mais mal compreendidas na atual Igreja de Deus. Faz sentido que seja assim, afinal, vivemos em uma sociedade que é uma das que mais têm celebrado e ansiado pela “liberdade”, ao longo de toda a História da Humanidade.

Pelo menos desde a eclosão da Revolução Francesa (1789-1799), com seu lema: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, o mundo tem vivido esse desejo de alcançar e viver plenamente a liberdade. De lá pra cá, assistimos à queda das monarquias (substituídas por repúblicas democráticas), separação entre Igreja e Estado e a virtual extinção da prática da escravidão na cultura ocidental. Mais recentemente, no século XX, vimos o surgimento, e  o fortalecimento, dos movimentos sociais, criados com o objetivo de garantir a liberdade das mais diversas minorias.

Na atual sociedade ocidental, a Igreja e as Forças Armadas são praticamente as únicas instituições em que a questão do respeito e da submissão às autoridades é ainda defendido e pregado. É difícil imaginar, na realidade de hoje, uma figura de destaque, que não seja um pastor ou um padre, que defenda abertamente a posição da mulher como “submissa” ao marido. Esse tipo de afirmação, fora dos círculos religiosos, soa absurda em qualquer esfera da sociedade moderna.

Mas, quando tiramos os olhos do mundo ao nosso redor, e os colocamos na Palavra de Deus, vemos uma realidade absolutamente diferente. A Bíblia é um livro que, do início ao fim, defende a “obediência” (ou submissão) e combate ferozmente a “desobediência” (ou rebeldia). A queda do Homem, ainda em Gênesis, foi causada exclusivamente pela desobediência do ser humano a uma ordem direta do criador: “não comerás”. Paulo ilustra belamente essa verdade ao apresentar as figuras do primeiro e do último Adão:

“Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem [Adão] muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem [Jesus] muitos serão feitos justos”. (Romanos 5:19)

O que Paulo faz, ao falar dos dois “Adões”, é nos mostrar quais são as únicas opções entre as quais devemos escolher: ou a desobediência ao plano de Deus, que nos leva à morte (a escolha do primeiro Adão); ou a completa submissão aos propósitos de Deus, que nos conduz à verdadeira vida (a escolha de Jesus, que foi obediente até à morte, e morte de cruz).

Mais uma vez, vem a pergunta: como a Igreja de Deus pode defender a submissão, em um mundo que busca, cada vez mais, e a um preço muito alto, a “liberdade”? A resposta pode ser encontrada nos próprios escritos do apóstolo Paulo. Em Romanos, no capítulo 6, somos apresentados, novamente, aos dois únicos caminhos possíveis em nossa vida: “Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?” O que Paulo explica nesse trecho é algo que podemos notar simplesmente observando o mundo ao nosso redor: existe uma linha muito tênue entre “liberdade” e “escravidão”.

De fato, aquilo que o Mundo prega (“faça aquilo que te faz feliz”) tem resultado, justamente, em pessoas infelizes. É fácil perceber que alguém que come de forma “liberada” (consumindo aquilo que quer e na quantidade desejada) está a apenas um passo de se tornar um escravo da comida. Da mesma forma, alguém que possui uma vida sexual “liberal” (tendo relações sexuais com qualquer um que provoque seus desejos sensuais) está perto de ser alguém viciado em sexo, escravizado às vontades de seu corpo. O resultado da “liberdade” pregada pelo Mundo nada mais é do que a escravidão do homem ao seu próprio corpo.

Sabemos que somos seres trinos, compostos de corpo, alma e espírito. O que a Bíblia nos propõe, e que é uma loucura para o Mundo, é que a única liberdade possível para o ser humano é a submissão do corpo ao espírito, o que só pode ser obtido através da renovação da alma, através da Palavra de Deus. O inverso disso seria a submissão da alma e do espírito aos impulsos do corpo. Essa submissão é absolutamente autodestrutiva, já que “a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do espírito é vida e paz” (Romanos 8.6). É de certa forma admirável que o Sistema do Mundo tenha conseguido convencer tanta gente que essa escravidão ao corpo seja o ideal de liberdade.

Assim, a conclusão a que podemos chegar é que a liberdade só pode ser encontrada quando nos submetemos, espontaneamente, aos impulsos de nosso próprio espírito recriado segundo Cristo. É notável que a liberdade que podemos experimentar hoje era algo impossível na Antiga Aliança. Não é à toa que a Bíblia nos afirma claramente que o que experimentamos, em Cristo, é completamente diferente da submissão experimentada pelos crentes piedosos, que viviam sob a Lei de Moisés: “Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai’” (Romanos 8.15).

Que verdade maravilhosa! O máximo que uma pessoa que cresce em Deus podia fazer antes de Jesus, era se submeter a mandamentos escritos, obrigando seu corpo a agir segundo uma Lei que lhe indicava o caminho da salvação. O melhor que essas pessoas poderiam esperar, era imitar o homem justo e íntegro mostrado na Lei, mas nunca chegando a ser, de fato, esse homem, porque “não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Eclesiastes 7.20). Mas GRAÇAS A DEUS pela obra de Jesus, que nos permite viver sob a Nova Aliança, “para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da lei escrita” (Romanos 7.6).

Ao nos submeter à Vontade de Deus estamos, de fato, obedecendo aos nossos próprios espíritos recriados. Como somos seres espirituais, estamos, em última instância, obedecendo a nós mesmos. Essa submissão é, portanto, a única verdadeira liberdade. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36).



OBSERVAÇÃO: Este estudo foi publicado no portal da Igreja Verbo da Vida: http://verbodavida.org.br/mensagens-gerais/submissao-e-liberdade/

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