Dentre os diversos personagens
que povoam o Novo Testamento, uma das figuras mais diferentes e enigmáticas
atende pelo nome de João Batista. Um dos fatos mais intrigantes a respeito do
primo de Jesus foi a própria declaração do Filho de Deus a respeito dele: “Eu
lhes digo que entre os que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João;
todavia, o menor no Reino de Deus é maior do que ele" (Lucas 7:28). A ousada
afirmação deixa claro que, antes da era da Igreja, ou seja, entre aqueles que
não experimentaram o Novo Nascimento (“Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o
Reino de Deus, se não nascer de novo" - João 3:3), não houve
ninguém superior a João Batista, e estamos incluindo aí Moisés, Davi, Elias,
entre muitos outros.
A pergunta que nos fazemos,
então, é esta: afinal, o que tinha João Batista de tão superior? O que ele
realizou de tão magnífico que o colocou em um patamar acima de tão grandes
vultos da Velha Aliança? A resposta, eu acredito, pode ser encontrada no
evangelho de João: “Então Jesus atravessou novamente o Jordão e foi para o
lugar onde João batizava nos primeiros dias do seu ministério. Ali ficou, e
muita gente foi até onde ele estava, dizendo: ‘Embora João nunca tenha
realizado um sinal miraculoso, tudo o que
ele disse a respeito deste homem era verdade’. E ali muitos creram em Jesus”
(João 10:40-42).
Qual era, portanto, o diferencial na vida de João? Não eram os sinais, milagres
e prodígios, coisas inexistentes em seu ministério terreno. O diferencial de
João era sua MENSAGEM.
O estudo da Palavra nos mostra
claramente que todo o Velho Testamento converge para um só alvo: Jesus, o Filho
de Deus. E, embora possamos encontrar indícios a respeito do Messias em vários
profetas da Velha Aliança, a revelação mais clara a respeito Dele veio mesmo
através do Batista. Foi ele que afirmou, categoricamente, “eis o Cordeiro de
Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29). Foi ele que
preparou o povo para a chegada do Messias, afirmando que aquele que viria seria
muito mais poderoso do que ele mesmo, e que batizaria “com o Espírito Santo e
com fogo” (Mateus 3:11).
Foi a mensagem exata a respeito
de Jesus que o colocou em uma posição tão elevada diante do próprio Deus. De fato,
João viveu e morreu pela sua mensagem. Ela era tão importante para ele que ele
considerava seu próprio ministério secundário em relação a ela. É por isso que,
quando questionado a respeito do crescimento do número de seguidores de Jesus
(algo que poderia preocupar alguém que estivesse visando seu próprio
ministério) respondeu simplesmente: “Convém que Ele cresça e que eu diminua”
(João 3:30). João entendia que seu sucesso pessoal era irrelevante, desde que
sua MENSAGEM, que era o próprio Jesus, crescesse e atingisse as pessoas. O
compromisso de João com a integridade de sua pregação foi tão grande que ele,
de fato, morreu por causa disso. Sua condenação não foi provocada por ser um
agitador político ou um subversivo, mas simplesmente por não se calar diante do
pecado do rei Herodes, que havia se casado com a mulher de seu irmão (contrariando
o mandamento contido em Levítico 18:16). Sua morte aconteceu por ele se recusar
a ir contra a Verdade.
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| Degolação de São João Batista, Victor Meirelles de Lima |
Mesmo não tendo um ministério
“espetacular”, marcado por sinais e maravilhas, a influência de João Batista
era inegável e permaneceu por muito tempo depois de sua morte. Afinal, os
fariseus, que não temiam chamar Jesus de “Belzebu”, não ousavam dizer uma
palavra contra o falecido João, já que o povo o considerava profeta (Marcos
11:32). Além disso, anos depois da morte e ressurreição de Jesus, o apóstolo
Paulo conheceu em Éfeso um grupo de discípulos que nada sabiam a respeito do
Espírito Santo, mas conheciam o batismo de João (Atos 19).
A história de João pode servir
como um exemplo para todos que desejam um ministério de sucesso. Sua pregação
simples e sem demonstrações de poder atraiu multidões ao deserto, que iam até
ele e encontravam mudança de vida baseada na promessa da vinda do Messias e da
chegada do Reino de Deus. Para nós, o Messias já veio, e nos tornamos
embaixadores de Seu Reino. Mais importante que as estratégias que adotamos, é a
MENSAGEM que pregamos. Se quisermos um ministério de sucesso, precisamos, assim
como fez João, simplesmente pregar Jesus.



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